Spots publicitários e descontos de 50% em sessões de cinema?!
Parece-me narcisismo e desperdício. Não me satisfaz.

Não vou estender-me em comentários para tal absurdo - o código de conduta e regras de fardamento do Hospital de Braga -, no documento estão pérolas no que toca a recursos humanos da actualidade idade da Pedra.
Realmente, este é um país que não se governa nem se deixa governar. São estes hospitais (parcerias público-privadas) que vão arruinar o SNS e a sua qualidade, preocupam-se com as unhas de gel e as meias de vidro e, ao mesmo tempo, contratam quem lhes convém abdicando de uma política de contratação pelo mérito e experiência profissional.
Estamos a 3 (três) dias do 25 de Abril, comemorar-se-ão 38 anos e ainda há tanta gente a precisar de aprender umas coisinhas.
O Bloco de Esquerda já pediu esclarecimentos (link 1); e o DoutorEnfermeiro também já escreveu, e bem (Hospital Fashion - link 2).
Não sei se fechar a Maternidade Alfredo da Costa é tão bom ou tão mau como para aí se discute. O que eu sei é que Lisboa tem uma oferta excessiva de cuidados de saúde e que acentua a desigualdade de acesso em relação ao resto do país, e também sei que a discussão que se tem realizado é completamente estéril e que devia ser discutida com os pressupostos seguintes:
Assistência em Lisboa:
1. O Concelho de Lisboa dispõe de maternidades na MAC, Hosp. Santa Maria, Estefânia, Hospital S. Francisco Xavier (CHLO) - 4 maternidades.
2. O Concelho de Lisboa tem Serviços de Ginecologia na Estefânia, MAC, Hospital de Santa Maria e S. Francisco Xavier (4 locais).
3. A taxa de Ocupação Serviço de Obstetricia do Hospital de Santa Maria é de 57%. No CHLO é de 46% para ginecologia e 78% para obstétricia. O número de partos referido pelo Hospital de Santa Maria é de aproximadamente 5000 e no CHLO é de 2600 e na MAC 5000, mais a Estefânia (sem dados).
Dados da População em Lisboa:
4. O Concelho de Lisboa tem de população residente: 547 631 habitantes (dados dos Census de 2011).
5. Na Grande Lisboa nasceram em 2010, 23853 crianças, das quais 11572 correspondem a Concelhos com Hospitais (Vila Franca de Xira, Amadora, Sintra, Cascais, Mafra (Torres Vedras)).
6. Se retirarmos aos cerca de 12000 partos da área de abrangência, os Concelhos de Odivelas e Loures que passam a pertencer ao Hospital Beatriz Ângelo (Loures), ficamos com cerca de 8600 partos dos Concelhos de Lisboa.
Comparativamente na área de Referência do Hospital de Braga a título de exemplo têm:
- Nascimentos em 2012: aproximadamente 4100 crianças.
Portanto, para 4100 partos, a região de Braga dispõe de 1 Hospital, Lisboa para o dobro dispõe de 4 Maternidades.
Não esquecer que a estes factores se acresce o facto de haver bastantes partos que ocorrem em clinicas privadas.
Concluo que não sei se fechar a Maternidade Alfredo da Costa é a solução, mas que Lisboa aguenta bem com 2 locais de parto aguenta sim.
Os erros da gestão em saúde pagam-se muito caro, e geralmente dão origem a carências, que se não corrigidas atempadamente provocam graves problemas à população.
Os Hospitais durante anos foram os responsáveis pela recolha de sangue nos seus serviços. Porém, alguns iluminados quiseram passar esta recolha para o Instituto Português do Sangue. O IPS numa primeira fase manteve as colheitas nos hospitais, contudo e face a restruturação da rede e fruto de políticas erradas, o IPS decidiu centralizar todos os recursos em 3 cidades (Lisboa, Porto e Coimbra) e fazer equipas móveis que vão a determinados locais para campanhas de doação massiva.
Esta política que em termos de gestão de recursos até parece ser acerta, falhou redendondamente num aspecto fundamental: a acessibilidade. Deixando de ser realizada a colheita em hospitais diariamente e passando a ser feita em dias fixos da semana (exemplo em Braga, realizada nos Bombeiros voluntários 2x por semana), contribuiu para a diminuição de dádivas.
Este problema, não é de hoje e o acentuar de problemas com a entidade patronal e envelhecimento da população vieram reduzir drasticamente o número de dadores. Atirar para cima das taxas moderadoras a culpa desta redução, é tão redutor como não olhar para o umbigo do IPS.
Exemplos disto são:
- Recusa de receber dádivas de sangue de homossexuais;
- Recusa de receber dádivas de profissionais de sangue (sei que há delegações que não tem essa regra, mas outras têm);
- desinvestimento em publicidade;
- falta de uma cultura de ensino aos jovens acerca desta importância.
Se está a ler isto, dê sangue, um dia pode ser a sua vida a depender daquela hora que despende.

Não, porque mais um ataque ao SNS não tem lógica.
Será que Portugal poderia continuar a orgulhar-se de ser um dos países com a taxa de mortalidade infantil mais baixa do mundo sem a colaboração da Maternidade Alfredo da Costa?
Não? Então não tem lógica.
Existirá algum serviço em Portugal de assistência integral à Mulher que possua profissionais de saúde que no seu percurso académico ou profissional nunca tenham exercido funções na Maternidade Alfredo da Costa e, desta forma, realçar o importante e fulcral papel da MAC como hospital-escola ao longo dos anos de existência?
Não? Então não tem lógica.
O fecho da maternidade implicará uma reorganização e um consequente aumento das maternidades pelo país (anteriormente fechadas!) permitindo desta forma: maior proximidade e redução da distância entre a Mulher/Criança e uma maternidade do SNS, evitando as longas distâncias que os familiares são obrigados a realizar para uma importante visita/acompanhamento e o evitar consequente de pagamento de portagens em auto-estradas e nas ex-SCUT´s aquando da visita?
Não? Então não tem lógica.
Existirá outro hospital com o leque de serviços clínicos que a MAC possui:
-Obstetrícia;
-Ginecologia;
-Pediatria/Neonatologia;
-Anestesia;
-Patologia Clínica;
-Imunohemoterapia;
-Radiologia;
-Anatomia Patológica;
-9 serviços de apoio;
-Cerca de 15 consultas especializadas;
permitindo-lhe no âmbito do Programa de Saúde Materna e Infantil ser classificado como Hospital de Apoio Perinatal Diferenciado?
Não? Então…desculpem ser repetitivo, mas continua a não ter lógica.

Não fumo...
Mas isto é uma verdadeira estupidez legislativa...
Já agora vale a pena por 1 policia a ver quem fuma em cada carro??
Ou será que a seguir vem a proibição de fumar dentro de casa, desde que se tenha filhos?
http://www.rtp.pt/multimediahtml/video/p
Fica acima o linque para o programa Prós e Contras acerca da Reforma Hospitalar (02-Abr-12). Foi, do meu ponto de vista, dececionante. Raramente tocou na política do medicamento, nunca abordou a questão dos cuidados de enfermagem (e mais uma vez nenhum elemento representativo na classe toma a palavra ou sequer é convidado), apontou baterias à fusão de hospitais, unidades e serviços - pouco mais.
O Secretário de Estado - Fernando Leal da Costa - mostrou retórica suficiente para calar os 'contras' e mascarou ou desresponsabilizou-se por algumas das intenções do governo. Uma delas veio à tona hoje, os media dizem-nos que os médicos e os enfermeiros da Maternidade Alfredo da Costa estão reunidos após notícia de encerramento da maternidade.
Questões como a qualidade de cuidados de enfermagem e suas repercussões em ganhos de saúde e eficiência económica; as repercussões económicas das úlceras de pressão decorrentes de internamento hospitalar; as IACS por más práticas médicas e de enfermagem e decorrentes prejuízos; utilização de antibióticos exagerada e pouco criteriosa; custos para o SNS da política de saúde (ou da falta dela) para a terceira idade; repercussões associadas à precariedade e inexperiência de enfermeiros contratados por hospitais PPP's; etc, etc, etc; não mereceram nem uma intervenção.
Assim andamos a tapar o sol com a peneira.
Vale a pena ler a série seguinte da autoria de Pedro Pita Barros.
1 - "entradas em medicina: garantir emprego aos novos médicos?" (link 1);
2 - "entradas em medicina: assegurar a qualidade formativa" (link 2);
3 - "entradas em medicina: evitar um custo desnecessário" (link 3).
Transcrevo abaixo o último da série.
Abram-se olhos, aproveite-se a competitividade - de uma forma séria claro. Não é essa a ideia central do liberalismo? (das poucas com que concordo, diga-se). Aumentar a qualidade e reduzir o custo? O aumento da oferta não reduz o custo? O aumento da oferta não gera competitividade e maior qualificação/rendimento? Se existe alguma área em que não vejo ser aplicada a ideologia liberal, o que me irrita (pasme-se), a mais gritante é a dos recursos humanos em saúde - a classe de Enfermagem assim o demonstra, tem na quantidade de oferta o pressuposto mas na inexistência de uma política de recursos humanos baseada na qualidade/qualificação o calcanhar de Aquiles.
O último argumento para a limitação das entradas em Medicina foi de assim se conseguir evitar uma formação cara para a sociedade e que depois não é empregue pelo sector público. Várias observações são a meu ver importantes.
Primeiro, a Medicina a este respeito não é diferente, no princípio, face a outras áreas. Pelo mesmo critério só se deveriam oferecer vagas de cursos no ensino superior público que suprissem as necessidades de contratação do Estado. Mas o papel do ensino superior público não é esse, não é o de servir de escola de formação para os quadros do sector Estado.
Rejeitando esse princípio, há uma evolução do argumento: formação cara que depois forma pessoas que ficam desempregadas seja no sector público ou no sector privado.
Segunda observação, não é claro que a abertura de mais vagas de medicina se traduzisse em desemprego. Mas mesmo aqui não se deve tratar a Medicina, por princípio, de forma diferente – os cursos que têm vindo a ser fechados ou a ver as suas vagas disponíveis reduzidas são os cursos de ensino superior com pouca procura, não cursos que tenham procura e sobre os quais haja um julgamento de valor sobre a sua utilidade social ou sobre a existência de desemprego no final (desde que divulgada no momento de escolha dos alunos antes de iniciar o curso qual o nível de empregabilidade do mesmo).
Aliás, com o processo de Bolonha e a pretendida mobilidade estudantes no espaço do ensino superior entre áreas e entre países, essas questões tornam-se menos óbvias.
Não creio que o argumento do custo do curso de Medicina se deva sobrepor ao princípio do ensino público oferecer formação em todas as áreas aos alunos que as pretendam frequentar. Mas naturalmente esta é uma discordância geral com a ideia de limite de vagas (numerus clausus) qualquer que seja a área, a definição do número de admissões deveria caber a cada instituição, que deve estar sujeita à comunicação de informação fiável sobre os cursos que oferece.
Ainda assim, admitamos, para explorar o argumento até ao limite, que se quer evitar custos desnecessários do ponto de vista do estado (formar médicos que depois não têm emprego). Será que limitar vagas é a única opção disponível e se não for a única opção será a melhor das opções disponíveis?
Duvido que a resposta a estas duas perguntas sejam o sim que validaria a limitação de vagas como forma de evitar custos de formação desnecessários para o sector público.
Por exemplo, um sistema em que os formandos que não fossem empregues pelo sector público tivessem que pagar a sua formação como se fosse um empréstimo para fins de educação parece dominar a limitação de vagas: não impede a formação de quem quer ser médico e evita os custos desnecessários. Pode-se discutir se deveriam pagar o curso todo ou apenas o acréscimo de custos que está associado com os cursos de Medicina (face a um curso de referência que teria de ser definido). Os mecanismos financeiros de pagamento da formação depois de concluído o curso não são diferentes dos de um empréstimo bancário para estudos. Mas o argumento será que se estão desempregados, não têm capacidade de pagar o empréstimo. A resposta é que por um lado podem vir a ser empregues pelo sector privado ou por outras entidades nacionais ou estrangeiras para exercer a sua profissão (ou até mesmo outra actividade profissional).
Não pretendo ter respostas completas, apenas refutar a ideia que a forma melhor de evitar custos desnecessários (para quem?) da formação de novos médicos que possam não encontrar emprego no sector público é limitar as vagas de admissão às escolas de medicina públicas.
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