Quarta-feira, 19 de Maio de 2010
Uma Proposta para Poupar que nada Poupa
Fruto do comentário do Sr. Carlos no post que fala da muito falada criação dos técnicos de emergência pré-hospitalar, vou desmontar o erro económico que este é.
A formação é feita, principalmente, em Portugal pelo Estado, logo o principal financiador é o estado. Neste momento existem, e segundo dados dos sindicatos e Ordem dos Enfermeiros, cerca de 3000 enfermeiros em situação de desemprego. Logo, aqui estamos perante um erro de financiamento/investimento e despesa do estado.
Precisamos de evoluir a formação dos Técnicos de Emergência, de acordo. Agora, temos um plano de recursos humanos que vai aumentar o número de técnicos e dar competências a outros quando temos um que já faz. Que erro de gestão.
Eu tenho o Manuel que paguei em média 5000euros para o formar como enfermeiro, é altamente diferenciado e tem conhecimentos que preciso e vão para além do que preciso, pago-lhe em Pt 1000euros.
Tenho o Joaquim que vai fazer formação, pago pelo curso dele outros 5000euros, passa a ter as competências que o Manuel já tinha. Vou-lhe pagar cerca de 750euros a 800euros.
Somando e em bom Português. 10800euros.
Eu tenho o Manuel paguei a formação dele de 5000euros, meto-o lá, pago-lhe 1000euros e ainda dou uma formação ao Joaquim extra em que gasto 1000euros e pago 800e, tenho os dois a trabalhar. Somatório? 7800euros.
É uma questão de multiplicar pelo número de profissionais necessários. Poderá argumentar que fiz a conta a um mês, mas também contra-argumento que a formação do enfermeiro seria 0, visto que eles já estão a ser formados e como tal, não é gasto extra, mas a manutenção do que já existe.
Ainda além, do plano económico ainda prevejo que quando os TEPH tiverem a hegemonia do mercado vão exigir uma revalorização salarial equivalente ao grau de complexidade, isto é, pagar 1000e.
Quem é que falou em poupar?
Uma análise bem pragmática.
Obrigado Caldas.
De Carlos a 19 de Maio de 2010 às 19:37
Eu diria enigmática em vez de pragmática... pelo construção do texto do Sr. Luis Caldas dá para perceber que se o ensino de português continuasse para o ensino superior não se perdia nada.
Peço desculpa se ofendi, mas o texto está mal estruturado e mal escrito.
Além disso os argumentos são facilmente "desmontáveis".
Mesmo que não publique este comentário peço que o transmita ao seu colega.
Obrigado
posso-lhe confessar que faz imensa falta o ensino de português...
O texto era facilmente desmontável, porém não o fez. Porquê?
Tomei conhecimento.
Cumprimentos.
De Fulano a 19 de Maio de 2010 às 17:06
Comentário sem relação com o teor do artigo. Apenas porque me parece o blog estar relacionado com enfermagem e por ter nos últimos anos frequentado os serviços de urgência quero aqui deixar uma nota para o quase geral bom atendimento por parte dos enfermeiros,contra a arrogância, má educação, maus modos etc da PRATICAMENTE TOTALIDADE dos médicos contactados nos referidos serviços. (Nem sei porquê, se NUNCA foram eles que dispensaram os serviços e apenas assinaram "o papel")
De Carlos a 20 de Maio de 2010 às 09:13
Concordo plenamente, os Enfermeiros deveriam ser mais reconhecidos. Temos excelentes profissionais na Enfermagem em Portugal.
De Carlos a 20 de Maio de 2010 às 09:09
Uma vez que o Sr. Luís Caldas se mostrou interessado na minha opinião acerca do seu texto, exponho aqui o meu cogitar. Mais uma vez peço desculpa se o ofendi.
1º erro – a formação de um técnico, dependendo do modelo até pode ser paga por quem a quiser fazer, eu não posso dizer que será o Estado a financiá-la a 100%, mas se o custo dessa formação for menor que o beneficio de o ter a trabalhar é racional para que se avance. É necessário um estudo imparcial sobre o assunto.
Não tenho nada a apontar ao facto de haver 3000 enfermeiros no desemprego a não ser duas coisinhas, primeiro que quando se usam dados, é normal citarem-se os estudos e estatísticas donde eles vieram, e segundo que há muito enfermeiro a trabalhar com dois empregos, só que essa questão não é chamada para aqui, porque remete logo para reivindicações salariais, utilidade real de ordens e sindicatos e o simples facto de que quem está bem não se preocupa com os que estão desempregados verdadeiramente.
2º Erro – Trabalho especializado e responsabilidade final vai ficar sempre a cargo dos enfermeiros, agora actos iniciais que podem salvar uma vida podem ser feitos por um técnico. Eu pessoalmente confiaria mais num técnico bem formado, do que um enfermeiro bem formado, pela simples razão que o técnico tem uma formação toda focada e especializada nessa área, enquanto que um enfermeiro, é um curso da área de saúde como um todo. Dou um exemplo simples tenho uma empresa e preciso de fazer a contabilidade, vou contratar um contabilista, não um gestor.
3º erro – não consigo decifrar as suas contas no paragrafo do manel e do jaquim. Na primeira situação o manel é enfermeiro e o joaquim técnico? É um erro assumir que uma formação especializada custa o mesmo que uma formação superior, convido-o a apresentar dados reais que contrariem o que disse. Se forem os dois enfermeiros, esqueceu-se que a formação que estamos a falar é altamente especializada, poderá não custar a mesma coisa, mas vai custar algo.
Na segunda situação são os dois enfermeiros? Se sim… esqueceu-se dos 5000 originais da formação inicial do Joaquim, sendo que a conta total é 7800+5000 = 13800
Faço-lhe a sugestão de apresentação de contas esclarecendo primeiro quem é técnico, quem é enfermeiro, quanto custa a formação de um e de outro, e qual o salário de um e de outro.
4º Erro – Monopolização do mercado - é natureza humana reivindicar melhores condições pois o ser humano é eternamente insatisfeito, agora é um erro da sua parte pensar que eles serão os únicos nessa tarefa. O salário nunca vai ser equivalente pela simples razão que os enfermeiros têm mais formação, e mais responsabilidades, mas os técnicos de certeza que vão sempre querer melhor salário. Já viu algum enfermeiro a pedir o salário de um médico… mas que o queriam, queriam… até eu.
Agora e só para terminar imaginemos a seguinte hipótese:
Três profissionais: o técnico pré-hospitalar, o enfermeiro e o médico.
O técnico custa 100 u.m., o enfermeiro custa 300 u.m. e o médico custa 500 u.m..
Segundo o que está aqui em causa algumas das responsabilidades, básicas do enfermeiro passam para o técnico e algumas das responsabilidades básicas dos médicos passam para os enfermeiros.
Uma emergência médica não muito complexa em que se utilize o técnico e o enfermeiro (400) fica mais barato do que enfermeiro e médico (800) neste caso 400 < 800.
Em jeito de comentário final, pode haver a crítica que quiserem podem-se queixar, gritar, manifestar o que quiserem, agora, isto é o que vai acontecer no futuro, pode não ser agora, pode não ser já amanhã, mas isto vai acontecer, e com isto refiro-me á reafectação de responsabilidades.
a sua análise é pertinente mas lírica.
A formação vai ser financiada pelo INEM, logo o meu argumento do público é válido e posso-lhe dizer que tenho conhecimento de causa do valor que vai custar e está adequado ao que afirmei.
Carreira técnica de nível 5 para o TEPH, vá procurar o nível da carreira dos enfermeiros e médicos e verá porque digo que o argumento salarial se vai esvaziar.
No exemplo 1 a assistência é feita por técnicos apenas. A questão é que continua a formar os enfermeiros e como tal, tem de a pagar, não na esfera do inem, mas na esfera nacional que é importante não abandonar. O segundo exemplo é o actual modelo SIV.
Caro Carlos, convido-o a ver a evolução do apoio em emergência na Suécia, não gasta mais que o nosso, começou com os TEPH, faltavam enfermeiros e médicos. Neste momento tem um conjunto muito grande dos dois últimos profissionais.
Eu quando digo meter-se lá um enfermeiro não digo que não deve ser dada a formação especifica, e quando dá o argumento da contabilidade é totalmente falso porque os enfermeiros têm de base esta formação e ainda complementada coma formação especifica para exercer funções no INEM.
Eu valorizo e muito os TEPH (actuais TAE's), agora é preciso entender que temos de racionalizar recursos e não faz sentido, é mais caro e menos seguro substituir e basear o apoio de emergência com base apenas nos TEPH, porque é o copiar o modelo americano quando toda a evolução do país em termos de emergência foi sempre no sentido contrário.
Carlos agradeço-lhe o debate, é um óptimo exercício de raciocínio. Agora falta-lhe o pensamento político, é que por detrás deste negócio há muito interesse dos quais nem vou falar aqui.
Comentar post