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Recortei a imagem seguinte do relatório do inquérito de prevalência de infeção nosocomial de âmbito nacional de 2010 (podem consultá-lo através do microsite do PNCI - link). Atentem!

 

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(em IN leia-se infeção nosocomial)
 
Bem sei que estes dados não causam surpresa alguma aos enfermeiros. Lanço apenas uma provocação: com dotações adequadas que redução conseguiríamos alcançar nestes números?
 
Deixo-vos um estudo para aguçar o apetite - Nurse staffing, burnout, and health care-associated infection (link).
There was a significant association between patient-to-nurse ratio and urinary tract infection (0.86; P = .02) and surgical site infection (0.93; P = .04). In a multivariate model controlling for patient severity and nurse and hospital characteristics, only nurse burnout remained significantly associated with urinary tract infection (0.82; P = .03) and surgical site infection (1.56; P < .01) infection. Hospitals in which burnout was reduced by 30% had a total of 6,239 fewer infections, for an annual cost saving of up to $68 million.

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Recentemente veio a público a notícia de terem sido detetados pela Inspeção-geral das Atividades de Saúde "vários casos de médicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que receberam incentivos para a realização de cirurgias no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), mas que as realizavam dentro do normal horário de trabalho" (link). Vergonhosamente, esta realidade não é novidade para quem anda nos meandros dos blocos operatórios desde que foi implementado este sistema de incentivos. O SIGIC tem e teve um papel importante, os seus objetivos são claros e a metodologia transparente, o grande problema é a completa desinibição ética e moral de um, quero crer, pequeno número de profissionais de saúde. Não falamos apenas de médicos, sejamos claros.

 

Quero, no entanto, relevar algumas considerações do nosso ministro da saúde quando interpelado a propósito:

 

"Nós estamos a falar, de facto, de verbas indevidamente pagas. Há um conjunto de orientações que foram dadas, quer de instauração de processos disciplinares, quer de orientações concretas aos conselhos de administração - que é quem conhece esta realidade de perto -, quer também o pedido de um novo balanço, no sentido de apurar as responsabilidades e diferenças, que terá de ser entregue ao Ministério da Saúde pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, nos próximos meses", disse o ministro. [...] Questionado sobre possíveis consequências criminais, Paulo Macedo negou, alegando que estão em causa matérias de responsabilidade civil e, eventualmente, de natureza disciplinar."

 

Espero que o sr.º ministro não fique pelos processos disciplinares. Entenderá, também, e necessariamente, proceder judicialmente para que o Estado seja ressarcido, bem como instaurar inquéritos e processos disciplinares aos administradores que compactuaram ou permitiram, de forma voluntária ou involuntária, este embuste. Esperemos pelos próximos episódios...

 

Update:

Médicos que receberam a mais serão obrigados a devolver verbas (link).

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Os irreais e desfasados retratamentos e as absurdas conclusões que o estudo comparativo das remunerações praticadas no setor público e no setor privado demonstrou em relação à classe de Enfermagem fizeram com que "perdesse" um bocado do meu tempo para proceder à leitura do mesmo. Após a sua leitura só existe uma palavra capaz de poder classificar aquilo que dizem ser uma espécie de estudo - FALÁCIA.

Na análise ao documento, o meu único foco centrou-se nas questões que directamente dizem respeito à Enfermagem, pois trata-se da área na qual consigo argumentar com conhecimento de causa. Presenciamos mensalmente na íntegra que os valores de 1625€ - Setor Público e 1515€ - Setor Privado que nos foram apresentados são completamente deturpados da realidade, e posto isto vou aqui provar o porquê de estarmos perante um pseudo-estudo sem qualquer tipo de credibilidade e veracidade. Vou, de seguida, expôr e partilhar alguns extratos que retirei do referido estudo realizado pela empresa Mercer (serviços de consultoria) a pedido da Secretaria-Geral do Ministério das Finanças e da Administração Pública, para posteriormente por baixo tecer o meu comentário relativamente a cada um deles:

 

- Na página 4 do pseudo-estudo:

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Pois bem, foi então realizada uma análise comparativa do setor público com o setor privado sem contemplarem as Leis dos Orçamentos de Estado dos anos de 2011, 2012 e 2013. Logo no início do documento encontro algo que lhe derruba a credibilidade. Querem considerar credíveis os dados apresentados depois de não terem em linha de conta o violento ataque que estes OE´s (Orçamentos de Estado) proporcionaram a toda a classe de Enfermagem? Ao não contemplarem os OE´s é espelhado um irreal acréscimo no cálculo da remuneração auferida, senão vejamos: como podem apresentar 1625€ mensais para o sector público sem, por exemplo, terem em linha de conta a sobretaxa de 3,5% contemplada no OE de 2012 ou sem considerarem a injusta redução de 50% da remuneração relativa ao trabalho suplementar que está consagrada no OE de 2013?

 

- Na página 65 do pseudo-estudo:

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O extrato de cima encontra-se nos Pressupostos do ponto 6 do documento, onde nos é clarificado o que foi tido em conta para o cálculo dos valores de 1625€ no setor público e 1515€ no setor privado. Como podemos verificar é importante perceber que os valores apresentados têm apenas por base toda a remuneração auferida sem qualquer subtração da enorme carga fiscal a que estamos sujeitos ( foi contabilizado apenas o salário bruto e adicionado os suplementos), tendo sido isto algo que de uma forma transversal não foi explicado pela comunicação social. É gravosa a forma como é transmitida uma descontextualizada informação para a opinião pública.

 

- Na página 44 do pseudo-estudo:

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Este extrato é retirado do ponto 4, onde consta a descrição da Caracterização da Amostra do Sector Público que tiveram em conta. Devo dizer que este ponto é o meu favorito e caso este estudo fosse o Oceano Atlântico, não tenho dúvidas que este extrato seria o seu Rift. Ficamos desta forma a saber que o referido estudo apenas englobou os enfermeiros pertencentes à Carreira de Enfermagem (vulgo CTFP´s), deixando de fora do estudo e ignorando por completo todos milhares de Contratos Individuais de Trabalho (vulgo CIT´s) que precariamente desempenham funções no SNS! É incrível! Por outro lado, os enfermeiros principais fazem parte da amostra caracterizada do setor público, sendo que na data actual os enfermeiros principais a desempenharem funções no SNS são...zero! Fantástico!

 

Em suma, é assim inevitável concluir que os valores de 1625€ - Setor Público e 1515€ - Setor Privado são deturpados. Também concluo que estamos perante um engenhoso estudo encomendado pelo pior governo pós-25 de Abril a uma empresa de consultoria na tentativa de mascarar e deturpar a realidade. O objectivo foi fomentar o alastramento de uma manipulada opinião pela sociedade civil com o pressuposto de poder fornecer empowerment a este lastimável governo para que, desta forma, possa avançar com os tão "apeteciveis" despedimentos no setor público depois do "colossal" falhanço com que nos tem presenteado. 
Podem aqui consultar o referido estudo. 

 

Catalisado pela tentativa de mascarar e deturpar a realidade manipulando a opinião pública, decidi pesquisar algo mais acerca dele e da referida empresa - a Mercer. Após a exaustiva pesquisa, encontrei algumas interessantes informações que aqui também vos partilho:

 

- Sabem quanto custou este distorcido e irreal estudo?

- A módica quantia de 69 600€ ao erário público.

 

- Sabem quanto é que no total a Mercer já recebeu do Estado por serviços de consultoria?

- 1 366 380€.

 

- Tratando-se de um estudo imposto pela troika e pela importância que este desempenha na estratégia de Pedro Passos Coelho e restante comandita, acham que foram ponderadas, analisadas e avaliadas várias propostas em regime de concurso público?

- Não, foi mesmo por...adjudicação directa!

 

-Sabem quantos ajustes directos já foram dados à Mercer?

- "Apenas" 29.

 

- Sabem quando foi celebrado e depois publicado o contrato para este pseudo-estudo?

- Celebrado dia 3 de Setembro de 2012 e publicado 19 de Dezembro de 2012, ou seja, mesmo que quisessem, algo que duvido, este estudo nunca poderia englobar o OE de 2013 (o OE só foi aprovado no dia 27 de Novembro de 2012 na Assembleia da República e depois promolgado pelo PR dia 27 de Dezembro de 2012).

 

E esta hein? É estranho isto não ter passado na comunicação social. Não passou ou não foram dadas ordens para poder passar?

Podem aqui consultar o site de onde recolhi as informações expostas.

 

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Médias

28.06.20

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Muita indignação se causou entre os pares enfermeiros pelas redes sociais com uma imagem comparativa publicada num canal de televisão, e com origem num estudo pedido pelo Governo a Consultora Mercer.

 

Gostava de destacar um conjunto de coisas:

 

1º - por mais que se queiram que os estudos sejam independentes, muitas vezes quem é consultado não fornece toda a informação possível, o que enviesa o estudo e quando se refere a comparar profissões entre público e privado, a obtenção de informação junto dos privados poderá não ser tão facilitada.

 

2º - o valor apresentado de 1600 € de média para o ordenado de um enfermeiro no público não me parece estar errado, principalmente se disser respeito ao ordenado médio de carreira.

 

3º - A média vale o que vale, não diz por exemplo para os enfermeiros que a entrada de 1 CIT a trabalhar no público é de 1021 €, 1200 € se for para ingressar como CFTP, e não diz que um enfermeiro que na antiga carreira fosse um enfermeiro supervisor e com horário acrescido poderá ter 1 ordenado de perto de 3500 €.

 

4º - Percebo que muitos enfermeiros tenham logo imediatamente perguntado em que hospital é que se ganha aquele ordenado de 1600 €, visto que um enfermeiro com mais de 12 anos e que esteja integrado na carreira pouco mais de 1200 €. Aliás sem grandes dados arriscaria que um enfermeiro com 20 anos de carreira andará no valor médio. Contudo, isto tem a explicação de as carreiras estarem congeladas a uma carrada de anos o que faz com que o valor entre os que ganham pouco e os que têm rendimentos maiores na carreira se acentue.

 

5º - Mais importante que perceber as médias, era perceber a qualidade dos cuidados prestados, que avaliação é feita e porque não pensar num regime que incentive os enfermeiros a serem pro-activos a trabalharem novas estratégias, a planear objectivos e a ter ordenados variáveis em função do cumprimento desses objectivos. 

 

6º - Pensar um sistema remuneratório que compare apenas o privado com o público em termos bases e não meça objectivos é a mesma coisa que continuar com a luta salarial do séc. XIX em que os trabalhadores pediam mais ordenado e o patrão pagaria se tivesse possibilidade económica. 

 

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Fogo amigo

28.06.20

Sempre fui uma pessoa crítica, e a minha postura perante os sindicatos não poderia deixar de ser, em determinados momentos, crítica. Quando vejo algum dirigente ou delegado sindical criticar os colegas que não compareceram em manifestações ou protestos confesso que fico um pouco irritado.

 

Precisamos de dirigentes e delegados sindicais livres e inovadores que cumpram o seu papel enquanto representantes da classe, e temos alguns! Não precisamos de dirigentes ou delegados demasiado concentrados na hierarquia sindical ou que representem o sindicato e não os enfermeiros. Os enfermeiros que são eleitos para os quadros do sindicato devem cumprir a função de representantes dos enfermeiros que os elegeram e nunca tomarem posição paternalista dos seus associados. Os dirigentes e delegados não podem, de modo algum, coagir os enfermeiros a manifestarem-se e se, em algum momento, percebem que as manifestações não são suficientemente participadas devem pensar em novas formas de protesto e luta, devem pensar nas razões da não-participação, entre outros, mas nunca... nunca dizerem que o facto de os enfermeiros não participarem  os impede de reclamarem os seus direitos - este tipo de postura promove o afastamento dos enfermeiros e a descredibilização das estruturas sindicais.

 

Se acho que tudo isto é verdade, e uma realidade que me aflige. Por outro lado devo também enaltecer o trabalho dos sindicatos e frisar alguns aspectos fundamentais.

 

Atualmente, vivemos um período de constantes atropelos à profissão. A discriminação salarial dos enfermeiros, a precariedade, o desemprego, a usurpação de competências são apenas alguns dos ataques que os enfermeiros tem sofrido e que urge combater. As estruturas sindicais são por inerência os órgãos fundamentais de defesa dos enfermeiros contra estes e outros ataques, ainda que em cooperação com a Ordem dos Enfermeiros. De facto, os nossos sindicatos têm muitas questões a resolver e, concerteza que há muito tempo não estavam tão assoberbados. Nestas alturas a união entre todas as estruturas representativas da classe e a colaboração de todos os enfermeiros são fundamentais.

 

Termino assim com dois apelos explícitos, aos dirigentes sindicais: não desistam de lutar e atraiam enfermeiros para as lutas de forma adequada e isenta; aos enfermeiros: não desrespeitem ou ataquem o trabalho dos sindicatos.

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A Direcção Regional de Lisboa do SEP irá realizar, no auditório da ESEL, Pólo Calouste Gulbenkian as I Jornadas no CHLN sob o lema "Enfermagem na Actualidade", no próximo dia 18 de Fevereiro (2a feira).

 

 
Nesta iniciativa os temas que irão ser abordados são relativos à Carreira de Enfermagem e Direitos Laborais dos Enfermeiros, sendo respectivamente divididos em duas mesas.
Fruto de uma necessidade identificada pelo SEP junto dos enfermeiros, estas jornadas irão servir para munir os interessados com informação pertinente àcerca da Carreira de Enfermagem bem como dos Direitos Laborais dos Enfermeiros, e servirá também para esclarecimento de dúvidas / questões que estejam presentes no seio dos enfermeiros.
 

 

As jornadas estarão abertas a todos os enfermeiros que queiram participar (sócios e não sócios do SEP).
As inscrições, apesar de gratuitas, são obrigatórias e poderão ser enviadas por:
  • - Mail - drl@sep.pt ;
  • - Carta - Morada: Av. 24 de Julho, 132 - 2º andar
  • - Fax - 213141423
 
Para mais informações, o SEP pode ser contactado através do telefone 213558751.

A participação incluirá um certificado de participação.

 

Mantém-te informado e traz as tuas questões/dúvidas, o SEP vai ajudar a esclarecer-te!

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Dos estatutos.

28.06.20

Está disponível desde hoje, dia 25 de janeiro, uma proposta de redação do novo Estatuto da Ordem dos Enfermeiros (OE), para audição de todos os enfermeiros. Esta proposta pode ser consultada na área reservada do site da OE / Alteração Estatutária / 2013 ou nas Secções Regionais até ao próximo dia 4 de fevereiro de 2013. Haverá ainda um apelo à participação na faturação enviada no final deste mês.

Consulte o documento e ajude-nos com a sua participação, enviando os seus contributos e sugestões de alteração, com a devida fundamentação, indicando os artigos e alíneas que pretende alterar ou acrescentar, para o seguinte endereço de e-mail: novo.estatuto.oe@ordemenfermeiros.pt .

Deverá ainda indicar o seu nome e número de membro para tornar válida(s) a(s) sua(s) proposta(s).

Recorde-se que a Lei n.º2/2013, publicada a 10 de janeiro, estabelece que, no espaço de 30 dias a contar do dia útil seguinte ao da sua publicação, cada uma das associações públicas profissionais fica «obrigada a apresentar ao Governo um projeto de alteração dos respetivos estatutos» que se adeque a esta lei. A «elaboração, aprovação e apresentação ao Governo dos referidos projetos compete, em exclusivo, ao órgão executivo colegial» das atuais associações / ordens profissionais (Artigo 53.º, nºs 3 e 4).

Visualize aqui a Lei n.º 2/2013 de 10/1.

A sua participação é um dever, sendo fundamental para a Enfermagem em Portugal.

Participe!

O Bastonário da Ordem dos Enfermeiros,

Enf. Germano Couto

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Background: Provisions of the Affordable Care Act that increase hospitals’ financial accountability for preventable readmissions have heightened interest in identifying system-level interventions to reduce readmissions.

Objectives: To determine the relationship between hospital nursing; that is, nurse work environment, nurse staffing levels, and nurse education, and 30-day readmissions among Medicare patients with heart failure, acute myocardial infarction, and pneumonia.

Method and Design: Analysis of linked data from California, New Jersey, and Pennsylvania that included information on the organization of hospital nursing (ie, work environment, patient-to-nurse ratios, and proportion of nurses holding a BSN degree) from a survey of nurses, as well as patient discharge data, and American Hospital Association Annual Survey data. Robust logistic regression was used to estimate the relationship between nursing factors and 30-day readmission.

Results: Nearly 1 quarter of heart failure index admissions [23.3% (n=39,954)], 19.1% (n=12,131) of myocardial infarction admissions, and 17.8% (n=25,169) of pneumonia admissions were readmitted within 30 days. Each additional patient per nurse in the average nurse’s workload was associated with a 7% higher odds of readmission for heart failure [odds ratio (OR)=1.07; confidence interval CI, 1.05–1.09], 6% for pneumonia patients (OR=1.06; CI, 1.03–1.09), and 9% for myocardial infarction patients (OR=1.09; CI, 1.05–1.13). Care in a hospital with a good versus poor work environment was associated with odds of readmission that were 7% lower for heart failure (OR=0.93; CI, 0.89–0.97), 6% lower for myocardial infarction (OR=0.94; CI, 0.88–0.98), and 10% lower for pneumonia (OR=0.90; CI, 0.85–0.96) patients.

Conclusions: Improving nurses’ work environments and staffing may be effective interventions for preventing readmissions.

 

Mais um estudo comprova que dotações de enfermeiros adequadas refletem ganhos em saúde, neste caso resultam numa menor taxa de readmissão hospitalar nos 30 dias após um episódio de internamento.

 

Todos o sabem, ninguém o valoriza.

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Sabia que é possível que venha a ser atendido em Lisboa por um técnico de ambulância que lhe poderá colocar um soro ou administrar medicação altamente nociva quando mal utilizada com uma formação, que se pressupõe, de 6 meses?

 

Sabia que é possível, para a mesma situação, friso para a mesma situação, ser atendido em vários pontos do país por bombeiros que não lhe podem prestar tais cuidados por que o INEM os trata de forma diferente?

 

Sabia que é possível, para a mesma situação, friso a mesma situação, ser atendido em vários pontos do país por bombeiros, um deles ou mais, concomitantemente enfermeiros, com uma formação de 4 ou 6 anos (se com especialidade), uma série de formações específicas em pré-hospitalar, abundante experiência no manuseio e administração de fármacos que, do ponto de vista do INEM, não lhe pode prestar tais cuidados?

 

Sabia que os TAE's do INEM e os veículos exclusivos do INEM só respondem a cerca de 30% das emergências médicas registadas no nosso país?

 

Sabia que são os veículos dos bombeiros e respetivos tripulantes que respondem as restantes 70%? Sabia que se o INEM não considerar determinada situação como emergência médica encaminha a mesma para os bombeiros e são eles que prestam o socorro (algumas dessas situações mal avaliadas correspondem na realidade a emergências médicas ou evoluem para tal)?

 

Sabia que grande parte das ambulâncias amarelas que vê circular pelo país são tripuladas por elementos bombeiros das corporações de bombeiros?

 

Envie as suas questões ao Ministério da Saúde.

P.S.: Começamos o ano desta forma graças a ele e aos seus maus conselheiros.

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O presente elenco do Ministério da Saúde publicou em Diário da República um diploma inovador com vista a oferecer competências de enfermagem a não-enfermeiros com a aprovação de médicos. Isso mesmo. Competências de enfermagem oferecidas a não-enfermeiros por aprovação de médicos.

 

A observar:

Despacho n.º 16401/2012. DR n.º 249, Série II de 2012-12-26 - Ministério da Saúde - Gabinete do Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde. Estabelece as competências dos Técnicos de Ambulância de Emergência (TAE), profissionais do Instituto Nacional de Emergência Médica IP (INEM), que atuam no âmbito da emergência médica extra-hospitalar.

 

Deste despacho tiramos as seguintes conclusões: 1) os TAE vão continuar a desempenhar um papel semelhante ao até aqui encetado, no entanto, observam agora as competências publicadas em despacho do Ministério da Saúde; 2) as pequenas (grandes) diferenças resumem-se em dois pontos: "entubação supraglótica" e "a preparação e/ou administração de fármacos por via endovenosa, subcutânea, intramuscular ou intraóssea".

 

Estes upgrades reservam-se segundo o despacho a "situações em que o utente se encontre em risco eminente de vida ou de perda de um membro, em que a não tentativa de realização de qualquer uma destas tarefas no imediato possa condicionar a sua sobrevivência e/ou condições extremas do seu bem-estar (caso especifico da analgesia ao doente com queimaduras graves)".

 

Esta condição é no mínimo irresponsável, e por vários motivos - elencá-los tornaria este texto numa lista de tópicos.

 

Se nós, enfermeiros, sabemos que preparar e administrar fármacos não é a mesma coisa que utilizar um desfibrilhador automático, parece que muita gente não pensa da mesma forma. Se nós, enfermeiros, gastamos alguma energia em torno da segurança do doente e somos pioneiros no controlo da infeção, parece que muita gente não pensa da mesma forma. Se nós, enfermeiros, temos casuística suficiente e conhecimento científico para efetuar procedimentos com a maior segurança e pertinência na decisão clínica, existem pessoas que não têm ambos mas parece que muita gente não pensa da mesma forma. Se nós, enfermeiros, temos evidência que comprova melhores resultados nos sistemas de emergência médica onde atuamos, existem pessoas que não pensam da mesma forma.

 

São as pessoas que não pensam da mesma forma que providenciam mudanças drásticas no SIEM sem qualquer suporte ou evidência científica. São essas pessoas que ignoram o facto de que os TAE não terão casuistica nem conhecimento para atuar conforme as competências atribuídas garantindo a segurança do doente. São essas pessoas que ignoram que nas condições atuais o SIEM necessita de aperfeiçoar o cuidado a idosos, as redes de suporte e encaminhamento social, não fossem os idosos os maiores clientes do INEM. Este INEM não defende os cidadãos portugueses, defende alguns.

 

Sempre defendi que todos os intervenientes no SIEM deveriam ter mais e melhor formação mas este não é o caminho. Tive oportunidade de demonstrar anteriormente que vivemos num país que trata os cidadãos de uma forma desigual e isso é o que mais me preocupa. Com estas medidas o fosso entre os bem-atendidos e os mal-atendidos vai alargar e disseminar-se.

 

Para um despacho deste tipo ter visto a luz do dia esta condição: "situações em que o utente se encontre em risco eminente de vida ou de perda de um membro, em que a não tentativa de realização de qualquer uma destas tarefas no imediato possa condicionar a sua sobrevivência e/ou condições extremas do seu bem-estar (caso especifico da analgesia ao doente com queimaduras graves)" - não pode ser válida, configura apenas uma forma de encapotar a intenção de acabar com a prestação de cuidados de enfermagem no pré-hospitalar.

 

E a caravana passa... 

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