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Os irreais e desfasados retratamentos e as absurdas conclusões que o estudo comparativo das remunerações praticadas no setor público e no setor privado demonstrou em relação à classe de Enfermagem fizeram com que "perdesse" um bocado do meu tempo para proceder à leitura do mesmo. Após a sua leitura só existe uma palavra capaz de poder classificar aquilo que dizem ser uma espécie de estudo - FALÁCIA.

Na análise ao documento, o meu único foco centrou-se nas questões que directamente dizem respeito à Enfermagem, pois trata-se da área na qual consigo argumentar com conhecimento de causa. Presenciamos mensalmente na íntegra que os valores de 1625€ - Setor Público e 1515€ - Setor Privado que nos foram apresentados são completamente deturpados da realidade, e posto isto vou aqui provar o porquê de estarmos perante um pseudo-estudo sem qualquer tipo de credibilidade e veracidade. Vou, de seguida, expôr e partilhar alguns extratos que retirei do referido estudo realizado pela empresa Mercer (serviços de consultoria) a pedido da Secretaria-Geral do Ministério das Finanças e da Administração Pública, para posteriormente por baixo tecer o meu comentário relativamente a cada um deles:

 

- Na página 4 do pseudo-estudo:

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Pois bem, foi então realizada uma análise comparativa do setor público com o setor privado sem contemplarem as Leis dos Orçamentos de Estado dos anos de 2011, 2012 e 2013. Logo no início do documento encontro algo que lhe derruba a credibilidade. Querem considerar credíveis os dados apresentados depois de não terem em linha de conta o violento ataque que estes OE´s (Orçamentos de Estado) proporcionaram a toda a classe de Enfermagem? Ao não contemplarem os OE´s é espelhado um irreal acréscimo no cálculo da remuneração auferida, senão vejamos: como podem apresentar 1625€ mensais para o sector público sem, por exemplo, terem em linha de conta a sobretaxa de 3,5% contemplada no OE de 2012 ou sem considerarem a injusta redução de 50% da remuneração relativa ao trabalho suplementar que está consagrada no OE de 2013?

 

- Na página 65 do pseudo-estudo:

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O extrato de cima encontra-se nos Pressupostos do ponto 6 do documento, onde nos é clarificado o que foi tido em conta para o cálculo dos valores de 1625€ no setor público e 1515€ no setor privado. Como podemos verificar é importante perceber que os valores apresentados têm apenas por base toda a remuneração auferida sem qualquer subtração da enorme carga fiscal a que estamos sujeitos ( foi contabilizado apenas o salário bruto e adicionado os suplementos), tendo sido isto algo que de uma forma transversal não foi explicado pela comunicação social. É gravosa a forma como é transmitida uma descontextualizada informação para a opinião pública.

 

- Na página 44 do pseudo-estudo:

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Este extrato é retirado do ponto 4, onde consta a descrição da Caracterização da Amostra do Sector Público que tiveram em conta. Devo dizer que este ponto é o meu favorito e caso este estudo fosse o Oceano Atlântico, não tenho dúvidas que este extrato seria o seu Rift. Ficamos desta forma a saber que o referido estudo apenas englobou os enfermeiros pertencentes à Carreira de Enfermagem (vulgo CTFP´s), deixando de fora do estudo e ignorando por completo todos milhares de Contratos Individuais de Trabalho (vulgo CIT´s) que precariamente desempenham funções no SNS! É incrível! Por outro lado, os enfermeiros principais fazem parte da amostra caracterizada do setor público, sendo que na data actual os enfermeiros principais a desempenharem funções no SNS são...zero! Fantástico!

 

Em suma, é assim inevitável concluir que os valores de 1625€ - Setor Público e 1515€ - Setor Privado são deturpados. Também concluo que estamos perante um engenhoso estudo encomendado pelo pior governo pós-25 de Abril a uma empresa de consultoria na tentativa de mascarar e deturpar a realidade. O objectivo foi fomentar o alastramento de uma manipulada opinião pela sociedade civil com o pressuposto de poder fornecer empowerment a este lastimável governo para que, desta forma, possa avançar com os tão "apeteciveis" despedimentos no setor público depois do "colossal" falhanço com que nos tem presenteado. 
Podem aqui consultar o referido estudo. 

 

Catalisado pela tentativa de mascarar e deturpar a realidade manipulando a opinião pública, decidi pesquisar algo mais acerca dele e da referida empresa - a Mercer. Após a exaustiva pesquisa, encontrei algumas interessantes informações que aqui também vos partilho:

 

- Sabem quanto custou este distorcido e irreal estudo?

- A módica quantia de 69 600€ ao erário público.

 

- Sabem quanto é que no total a Mercer já recebeu do Estado por serviços de consultoria?

- 1 366 380€.

 

- Tratando-se de um estudo imposto pela troika e pela importância que este desempenha na estratégia de Pedro Passos Coelho e restante comandita, acham que foram ponderadas, analisadas e avaliadas várias propostas em regime de concurso público?

- Não, foi mesmo por...adjudicação directa!

 

-Sabem quantos ajustes directos já foram dados à Mercer?

- "Apenas" 29.

 

- Sabem quando foi celebrado e depois publicado o contrato para este pseudo-estudo?

- Celebrado dia 3 de Setembro de 2012 e publicado 19 de Dezembro de 2012, ou seja, mesmo que quisessem, algo que duvido, este estudo nunca poderia englobar o OE de 2013 (o OE só foi aprovado no dia 27 de Novembro de 2012 na Assembleia da República e depois promolgado pelo PR dia 27 de Dezembro de 2012).

 

E esta hein? É estranho isto não ter passado na comunicação social. Não passou ou não foram dadas ordens para poder passar?

Podem aqui consultar o site de onde recolhi as informações expostas.

 

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